Li uma reportagem na revista Veja desta semana que 30% dos clientes das clínicas de reprodução humana são mulheres solteiras.
O avanço da ciência está mudando a forma com que os seres humanos se reproduzem. Hoje, já não é necessário a relação sexual para que haja a concepção de um ser humano.
Como trabalho com relacionamentos humanos, levanto aqui algumas reflexões que podem ou não ser pertinentes ao assunto. Realmente, não sei qual será o efeito e as dinâmicas que ocorrerão na psique e nos relacionamentos destas pessoas. Tudo dependerá também da educação e da forma que elas encararem certos fatos de sua concepção.
Será que o filho tem ou não o direito de conhecer seu pai, ou seja, uma parte de sua origem biológica e real ?
Se você conheceu o seu pai, consegueria imaginar como seria sua vida se não o tivesse conhecido, ou muito menos saber quem ele é ? Se você não o conheceu ou não sabe quem ele é, como você se sente ? Deixe seu comentário.
Muitas pessoas estão ainda aprendendo a lidar com as incertezas do futuro e agora algumas terão de aprender também a lidar com as incertezas do seu passado, da sua origem.
Como ficará a dinâmica e a relação entre mãe e filho(a) quando a mãe já exclui o pai da relação ?
Como fica o sentimento de posse da mãe com relação ao filho já que ela pagou para tê-lo(a) ? E como isso afetará a criança ?
Como saber se a clínica de reprodução está realmente provendo os espermatozoides do pai com as características que a futura mãe quer ?
E se o filho nascer com características totalmente diferentes daquelas que ela desejava ? Aceitação ou rejeição ?
Será que a mulher que deseja o controle das características do seu filho tem estrutura emocional para lidar com as incertezas que podem ocorrer ?
Enfim, há mais perguntas do que respostas. Fato é que tais clínicas de reprodução tornaram-se um negócio rentável. As consequências e os efeitos desse novo negócio na vida do ser humano moderno só saberemos daqui há alguns anos.